Abraço na Semana dos Voluntários da Pfizer:

Um encontro sobre cultura, identidade e refúgio

O final de ano foi agitado no Abraço Cultural Rio de Janeiro. O motivo da agitação não poderia ser melhor: o Atados, em parceria com a Pfizer (sim, é ela!), nos convidou para realizar um projeto sobre cultura, identidade e refúgio. A ação foi realizada em português e contou com facilitadores de diferentes nacionalidades. As trocas foram tão enriquecedoras que a gente decidiu compartilhar por aqui também!

Imagem: acervo da instituição

O encontro, chamado de “Culturas do Sul global: até onde o que nos separa também não nos aproxima?”, aconteceu através da plataforma Zoom na manhã do dia 10 de dezembro de 2021, dia em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A ação foi desenhada pelo Abraço Cultural RJ e fez parte da programação da Semana dos Voluntários da Pfizer. E quem acha que não é possível trocar de verdade em ambiente virtual, certamente não conhece esse grupo!


O bate-papo tinha como objetivo central a (re)descoberta de culturas do Sul global. Através de histórias contadas pela Maryony, Hadi e Jonathan, os participantes puderam ouvir algumas lendas que povoam o imaginário de venezuelanos, entender o papel da ancestralidade na formação da identidade das populações que vivem na atual República Democrática do Congo e perceber que o islamismo é apenas um grãozinho de areia diante da diversidade de influências e culturas que compõem o Oriente Médio.

Em um momento marcado por uma mundialização com pretensões monoculturais, conhecer essas outras vozes nos afasta do perigo da história única e nos permite entender que o mundo é muito maior e mais diverso do que as nossas experiências podem provar. E quando falamos de Direitos Humanos, é essencial compreendê-los através de uma ótica intercultural, sensível ao direito de ser diferente, e decolonial, atenta à colonialidade inerente ao nosso sistema-mundo.


Abrir espaço e acolher histórias das culturas subalternizadas do Sul global é um excelente exercício de alteridade e empatia. Ele é, também, um passo importante para a reflexão sobre a nossa própria identidade enquanto habitantes de um país outrora colonizado. Reconhecer aquilo que nos separa é também conhecer aquilo que nos constitui. E até onde o que nos separa também não nos aproxima?

Os 90 minutos de encontro não foram suficientes para responder a essa pergunta, mas as trocas feitas por lá já são sementes que, certamente, vão germinar por aí. Só nos resta, então, agradecer a oportunidade ao Atados e à Pfizer, e torcer para que a gente possa replicar a ação em 2022!

Fontes:

Sobre o perigo da história única:

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Sobre a direitos humanos e interculturalidade:

CANDAU, Vera Maria. Direitos humanos, educação e interculturalidade: as tensões entre igualdade e diferença. Revista Brasileira de Educação. V. 13, n. 37, jan/abr/2008, pp. 45-­‐57. Disponível em: http://scielo.br/pdf/rbedu/v13n37/05.pdf.

Sobre decolonialidade, colonialidade e sistema-mundo:

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o Giro Decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política. Brasília, n. 11, mai./ago. 2013, p. 89-117. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-33522013000200004. 

Sobre Sul global:

PINO, Bruno Ayllón. Evolução histórica da Cooperação Sul-Sul (CSS). In: SOUZA, André de Mello. Repensando a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. Brasília: IPEA, 2014. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/repensando_a_cooperacao_web.pdf.

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Cacau Vieira, Diretora e Coordenadora Pedagógica do Abraço RJ