Dia da Terra Palestina, por Nour Massoud

Desde 1976, o povo palestino comemora o Dia da Terra nesta data. Descubra um pouco da história e do porquê da comemoração através do relato da nossa professora Nour Massoud, síria-palestina.

No 30 de março de cada ano, os palestinos saúdam o “Dia da Terra”, carregando sua bandeira nacional e plantando oliveiras como uma ocasião simbólica para expressar seu vínculo com a terra e com a identidade nacional.

A Terra, desde o início da humanidade, é um símbolo de existência e identidade. Todos ansiamos por saber onde nossos pais e avós nasceram. Frequentemente, nós ouvimos histórias de filhos de imigrantes retornando ao local de nascimento de seus avós para aprender mais sobre sua história e se conectar com a história de suas famílias. Da mesma forma, os palestinos, dentro e no exílio, esperam retornar um dia para conhecer uma terra que eles sempre ouviram, sobre suas belezas e prosperidades, mas que nunca a viram.

O poeta palestino Mahmoud Darwish diz: “Meu avô sempre me diz que Haifa é a cidade mais bonita do mundo… Eu nunca vi Haifa, e meu avô não viu as cidades do mundo”. A poetisa Samar Abdel Jaber, cuja família palestina se refugiou no Líbano e nunca viu a Palestina, só conhece ela através da memória de seu avô. Ela complementa: “Mas apesar disso, acredito muito nele / e de repente percebo… / Há a vida / nas coisas quebradas às vezes”.

A ferida de expulsar os pais e avós da terra é uma ferida que não foi e nem será curada para os palestinos. Especialmente, considerando que a usurpação de suas terras e violações de seus direitos é um processo contínuo e que transcendeu todos os acordos, tratados internacionais e convênios de direitos humanos desde a Nakba, em 1948, quando muitos palestinos foram expulsos da Palestina e buscaram refúgio em outros países levando consigo as chaves de suas casas, memórias e a esperança de retorno que não possuíam. Seus netos não herdaram nada mais que isso. Israel promulgou a lei da “propriedade ausente” e confiscou as terras dos refugiados palestinos que foram expulsos ou deslocados pela guerra.

Em 1976, as autoridades israelenses, com o objetivo de construir mais assentamentos, confiscaram aproximadamente 21.000 dunams (21 milhões de metros quadrados) de terras pertencentes à cidadãos árabes palestinos nas áreas da população majoritariamente palestina sob o nome de “Projeto de Desenvolvimento da Galiléia”. Isso incluiu as áreas de Arabeh, Sakhnin, Deir Hanna, Arab Al-Sawaed e outras áreas da Galiléia, Triângulo e Negev. No 30 de março do mesmo ano, os palestinos declararam uma greve geral, começaram os protestos contra a expropriação de terras e eclodiram confrontos, resultando na morte de seis palestinos e centenas de feridos e presos.

Desde aquele ano, o dia 30 de março se tornou uma ocasião para palestinos dentro e na diáspora, junto à simpatizantes em outros países, comemorar o Dia da Terra e renovar o compromisso com os seus direitos e com a afirmação de permanecer em seu caminho, resistindo à ocupação e insistindo para alcançar os seus direitos de retorno, a liberdade e a independência.

“على هذه الأرض ما يستحق الحياة” محمود درويش”

“Há nesta terra, o que vale a vida”. Mahmoud Darwish

Nour Massoud, Professora do Abraço Cultural SP