Dia Internacional da Mulher Negra

Latino Americana e Caribenha

“Hoje, dia 25 de julho é um dia muito especial e importante para nós mulheres negras
latino americanas e caribenhas, é uma data de confraternização e muita luta!”

Roberta Lima

Quando falo em confraternizar, penso no festejar da existência e potências das diversas mulheres negras que vieram antes e possibilitaram a concretização dessa data. Penso nas que se fazem presente hoje e tentam criar novos caminhos para as que virão amanhã. Na diversidade dos saberes de mulheres negras diaspóricas, mulheres brasileiras, cubanas, venezuelanas, jamaicanas entre outras. Parafraseando a poeta Elisa Lucinda, podemos constatar que mesmo diante das diferenças geográficas e culturais somos semelhantes, temos a diáspora em comum e isso nos impulsiona a seguirmos e traçarmos caminhos emancipatórios.

25 julho é o resultado de muita luta de mulheres negras dispostas e engajadas a criarem uma nova agenda em comum. Foi em 1992, em Santo Domingo na República Dominicana que aconteceu o primeiro Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro caribenhas e além do importante marco, a definição do dia 25 de julho como Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. No Brasil, a conquista pela data tardou mais de 20 anos. Somente em 2014 a data foi sancionada como Dia Nacional de Tereza de Benguela* e da Mulher Negra.
(*Tereza de Benguela é uma figura importante na luta pela emancipação da população negra).

Recentemente, uma iniciativa que impulsionou e representa a importância da celebração dessa data, é a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver. Idealizada por Nilma Bentes do Pará, ela vem sendo realizada anualmente no dia 25 de julho desde 2015 e já conseguiu reunir cerca de 50 mil mulheres em Brasília. Inúmeras marchas já aconteciam por todo o país, no entanto, a Marcha das Mulheres Negras tem tomado uma proporção nacional e contado com diversas parcerias para sua concretização. Uma dessas parcerias que tem fortalecido a marcha é a das mulheres indígenas que também trazem suas pautas e endossam um apoio mútuo.

Por que as mulheres negras marcham? 

Tanto no Brasil, quanto na América Latina e Caribe temos números expressivos que denotam o abismo de desigualdades que as populações negras e indígenas estão inseridas. Esses números aparecem nos baixos índices educacionais, no acesso à saúde, moradia e no que diz respeito a violência e encarceramento. Além do posicionamento contra o racismo estrutural, institucional, a violência e pelo Bem Viver, as mulheres da Marcha tem se organizado contra os desmontes dos direitos sociais e as graves violações de direitos humanos que afetam principalmente as populações negras e indígenas. A pluralidade é um ponto forte da Marcha, porque somos muitas e diversas. Cisgêneras, trans, heteras, lésbicas. autônomas, organizadas, religiosas ou não. Somos muitas e engajadas a debater questões de raça, gênero e classe, na luta pelo fim da discriminação, feminicídio e a situação de extrema vulnerabilidade que o racismo perpetua sobre nossos corpos e mentes.

Assim, diante do endosso de luta que essa data representa, considero importante retomar também o caráter celebrativo do dia 25 de julho, e para isso nada mais apropriado do que cedermos espaços para os trabalhos de mulheres negras latinoamericanas e caribenhas. Veja aqui embaixo algumas indicações de leitura feitas por nossas professoras de espanhol, a María Faguaga do Abraço SP e a Iriana Moreno, do Abraço RJ:

Beatriz Nascimento

Beatriz Nascimento (Brasil, 1942). Mulher negra e nordestina, formada em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, poeta, estudiosa, pesquisadora, professora e ativista. Em suas pesquisa se dedicou a pensar no racismo acadêmico, a relação Brasil e África e o significado de Quilombo. Quer conhecer um pouco mais de sua história? O documentário “Ôrí” (Raquel Gerber) traça um panorama social, cultural e político, tendo como fio condutor a vida da historiadora.

Leyda Oquendo

Leyda Oquendo (Cuba, 1947). Foi jornalista, historiadora, africanista e ensaista. Doutora em Ciências Históricas, investigou a emancipação da mulher em Cuba e a cultura africana, deixando um legado importante sobre esses temas.

Lélia Gonzalez

Lélia Gonzalez (Brasil, 1935). Intelectual nascida em Minas Gerais, professora universitária, Doutora em Antropologia Social, ativista negra e feminista. Uma das mulheres negras responsáveis por repensar a teoria e prática do movimento negro brasileiro.

Yuderkys Espinosa Minoso

Yuderkys Espinosa Minõso (República Dominicana), é escritora, docente, pesquisadora e ativista comprometida com a luta antirracista, antisexista e decolonial. Estudou na argentina e atualmente vive na Colômbia, membra do Grupo Latinoamericano de Estudio, Formación y Acción Feminista (GLEFAS).

Sueli Carneiro

Sueli Carneiro (Brasil, 1950). É Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo escritora e feminista negra brasileira, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Autora do livro “Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil”, é considerada uma das intelectuais negras responsáveis pelo enegrecimento do feminismo no Brasil.

Fontes:

https://www.ecured.cu/Leyda_Oquendo

https://ayalaboratorio.com/2017/12/14/yuderkys-espinosa-feminismo-e-antirracismo/
https://www.geledes.org.br/hoje-na-historia-25-de-julho-dia-internacional-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha/
https://www.geledes.org.br/o-dia-25-de-julho-e-um-marco-de-luta-para-as-negras/
https://www.geledes.org.br/marcha-das-mulheres-negras-de-sp-2019/
https://negrasoulblog.wordpress.com/2016/08/25/309/

Roberta Lima, cientista social, estudante de pedagogia e estagiária no Abraço SP.