Abraçando histórias

No mês de julho, o Abraço Cultural São Paulo completa 5 anos, e o sucesso da nossa trajetória se deve totalmente a vocês que acreditam no nosso projeto, nos acompanham e nos apoiam em todos os momentos. Então, para comemorar todos esses anos que caminhamos juntos, a gente preparou um presente! O Abraçando Histórias é um projeto que busca mostrar quem são as pessoas que fazem o Abraço Cultural SP acontecer e o que elas têm para nos contar. E qual a melhor maneira de conhecer alguém, senão pela sua própria voz? Então, toda semana, um de nossos professores e professoras vai compartilhar com a gente uma história que traz boas lembranças e com a qual eles/elas identificam. Aqui no nosso blog vocês poderão assistir todos os vídeos e ler os depoimentos completos de cada um dos protagonistas dessa história!
Vem com a gente!

“Eu não escolhi o Brasil. O Brasil me escolheu”

Maria Ileana Faguaga Iglesias

“Antes de sua consolidação, o refúgio é uma quimera. É a última, e única esperança do sujeito que, envolvido politicamente, sofre uma perseguição que se faz insuportável. Por isso saí do meu país, Cuba.

Mas eu não escolhi o Brasil. O Brasil me escolheu. Como antropóloga e ativista no meu país, vim para o Brasil para participar de um colóquio sobre direitos humanos, em 2013. Estava psicológica e emocionalmente fragilizada.

Fiquei. Quando o Brasil se recusou a prorrogar meu visto, entrei com um pedido de refúgio. Muitas vezes, a caminhada foi difícil e desafiadora. Mas como a vida nunca é em branco e negro, também há bons momentos.

Eu tinha um amigo quando cheguei, Aristóteles. Ele é angolano. Posso dizer que ele é meu irmão. Ele me ensinou a andar. E me encontrar. Quando eu não sabia onde estava, ligava para ele, e ele dizia: ‘Vai pra esquina e procura o CEP, vou aí te buscar’. Fiquei especialista em coisas para conhecer em São Paulo sem dinheiro: biblioteca, cinema de graça no centro…

O Abraço apareceu quando parecia que tudo conspirava para me desanimar. Foi uma nova oportunidade de me permitir ter renda própria, aprender e me relacionar com pessoas afins aos meus interesses.

Conheci gente de diferentes lugares do mundo. Vi professores ganharem filhos brasileiros. Vi meus alunos se tornarem amigos. Há sete anos eu moro no Brasil, e há sete anos não vejo minha mãe. Esses amigos me deram o melhor presente que eu podia imaginar: levaram remédios para minha mãe e me trouxeram de volta um abraço dela”.

Toda quarta-feira teremos um novo vídeo e uma nova história sobre as pessoas que fazem o Abraço Cultural SP acontecer!

Abrace você também essas histórias!

Bianca Silva, Coordenadora de Comunicação do Abraço SP