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(algumas)vozes da áfrica:

cantores e cantoras do continente

Quer conhecer mais e descobrir novas referências sobre música africana? Veja abaixo nossa listinha com alguns cantores desse continente enorme e super diverso:

Deltino Guerreiro | Moçambique

Música africana em português? Você pode treinar seu ouvido para sotaques de português de fora do Brasil ouvindo Deltino Guerreiro. Deltino é um cantor moçambicano que nasceu na província de Cabo Delgado, no estado de Montepuez. Seu som é uma mistura de influências, fruto das suas vivências de norte a sul do País. Deltino aposta no estilo soul e R&B, que é a tradição musical do norte de Moçambique, aliadas a letras conscientes cantadas em português, inglês e macua. Suas melodias refletem a forte influência musical árabe do Norte de Moçambique, às vezes comparadas com ritmos de países como Mali, Gâmbia e Burkina Faso. Seu hit de maior sucesso, Sonho, fala sobre vontade de ter mais dinheiro para poder viver mais experiências, viajar e conhecer novas possibilidades de vida. Seu álbum, Eparaka, está disponível no Spotify.

Fatoumata Diawara | Costa do Marfim/Mali

Já falamos dela no blog, mas gostamos tanto que, sim, vamos indicá-la novamente! Fatoumata Diawara é uma cantora maliana natural da Costa do Marfim. Ela também é compositora, guitarrista e atriz, misturando ritmos como o wassoulou africano com Jazz e Soul. É fluente em inglês e francês, porém optou por cantar em sua língua nativa, o wassoulou. Seu último disco lançado em maio de 2018, “FENFO”, que significa “algo a dizer”, já tem mais de 17 milhões de visualizações. Além disso, Fatoumatara também é ativista pelos direitos da mulheres. Diawara ficou como uma das mais conhecidas e melhores artistas do Mali pelo sucesso de seu álbum de estreia, “Fatou”, gravado há oito anos. Destaque para as faixas Bissa, Kanou, Willié e Clandestin.

Fally Ipupa | RD do Congo

Vindo do cenário musical congolês dos anos 90, depois apadrinhado pelo seu compatriota Koffi Olomide no grupo Quartier Latin até 2006, o cantor congolês Fally Ipupa tornou-se, em uma década de carreira solo, uma estrela de seu continente, antes de se lançar internacionalmente através de uma orientação musical nova e mais urbana. Em 2014, em apenas 8 anos de carreira e 3 álbuns solo, é classificado pelo Huffington Post como sendo o 6º artista africano mais rico. Depois de diferentes ritmos, Ipupa recentemente voltou a seu gênero tradicional no último disco, “Control”, a rumba congolesa. Destaque para as músicas “Original”, “Bad boy” e “Aime-moi”.

Mayra Andrade | Cabo Verde

Nascida em Cuba, cabo-verdiana e moradora de vários países, Mayra retornou às ilhas cabo-verdianas na adolescência e viveu mais de uma década na França. Mais que um traçado de idas e vindas, este percurso desenhou uma geografia afetiva que marca profundamente o trabalho da cantora.
Cabo verde foi um dos primeiros territórios “descobertos” pelos portugueses durante as grandes navegações do século XV. Dada a sua posição estratégica na rota entre a Europa, o restante da África e o Brasil, tornou-se importante entreposto comercial, aprisionando Cabo Verde na condição de colônia até 1975. O pai de Mayra foi combatente na luta pela independência do país; dez anos mais tarde, quando soube da gravidez da esposa, estava apreensivo por sua saúde e preferiu que o nascimento da filha ocorresse em terras irmãs – por isto Cuba, que apoiava a independência, tornou-se ocasionalmente o berço da cantora. Desse trajeto histórico-cultural Mayra cultiva línguas e sons. Por exemplo, ela fala e compõe em crioulo cabo-verdiano, português, espanhol, francês e inglês. Seu estilo musical abriga desde a percussão e os ritmos marcadamente africanos – Mayra é apaixonada pelo funaná e o batuque, que eram mal vistos pela elite colonial e, portanto, nunca foram adequadamente exportados – até o pop internacional, sem deixar de reverenciar a Música Popular Brasileira. Dentre suas músicas se destacam “Afeto”, “Plena” e “Manga”.

Hindi Zahra | Marrocos

Nascida em 1979 em Khouribga, uma cidade mineira no sul de Marrocos, Hindi Zahra vem de uma família de artistas. Ela foi descoberta graças a sua mãe, que a levou para ter aulas de canto lírico. Alguns anos depois, ela foi revelada ao público através de “Beautiful Tango”, postado no Myspace. Em 2010, ela lançou seu primeiro álbum “Handmade”, pelo qual recebeu dois prêmios: “Constantin Prize” e “Victory of Music”, na categoria “Album of World Music”. Zahra é uma artista com uma cultura musical bem plural: jazz original, sopros orientais, música afro-americana e blues ancestral… Ela também é poliglota: canta em francês, berbere, árabe e inglês. Destaque para as músicas “Beautiful Tango”, Un Jour” e “Imik Si Mik”.

Manu Dibango | Camarões

Em 1972, o saxofonista camaronês Manu Dibango lançou Soul Makoosa, uma peça musical que lhe rendeu reconhecimento internacional. O ritmo de Soul Makoosa apareceu mais tarde no lendário “Wanna Be Starting Something” de Michael Jackson e “Don’t Stop the Music” de Rihanna. Dibango começou sua carreira como membro da popular banda African Jazz que trouxe um novo estilo de música para o Congo. Desde então, ele viajou pelo mundo e trabalhou com músicos como Fela Kuti, Sly & Robbie e Don Cherry. Manu Dibango deixou uma marca inegável na paisagem musical da África.

Cesária Évora | Cabo Verde

Cesária Évora nasceu a 27 de Agosto de 1941 na cidade de Mindelo, em Cabo Verde. A cantora é considerada a “embaixadora da morna”, ritmo cabo-verdiano, tendo editado 24 discos, entre originais, ao vivo e em parceria com outros artistas de vários países.Começou por cantar nos bares de Mindelo até que, em 1985, foi escolhida pela Organização das Mulheres de Cabo Verde para ser uma das quatro artistas a figurar numa compilação especial com intérpretes cabo-verdianas, o álbum Mudjer.
Foi em Paris, em 1988, que Cesária Évora deu inicio ao seu sucesso profissional, com a gravação do seu primeiro álbum La Diva aux Pieds Nus e com a realização do seu primeiro concerto. No início dos anos 90, iniciou uma turnê mundial e em 1994 edita o álbum Sodade, um dos seus maiores êxitos. Ainda nos anos 90 gravou, em Cuba, o álbum Café Atlântico. Em 2000 partiu novamente em turnê e, seguidamente, gravou o álbum São Vicente di longe, com a participação de Caetano Veloso na canção “Regresso”. Em 2003 foi editado o álbum Voz d’Amor, pelo qual recebeu o Prémio Grammy de Melhor Disco do Ano em fevereiro de 2004. Dentre suas músicas mais famosas estão “Sodade”, “Angola” e “Ingrata”.

Nneka | Nigéria

Nneka é uma cantora de neo-soul estilisticamente diversificada e politicamente inclinada. Nascida Nneka em Warri, Nigéria, em 1981, imigrou aos 19 anos para Hamburgo, na Alemanha, com planos de estudar antropologia. Influenciada pelos imponentes legados de Fela Kuti e Bob Marley, bem como por artistas contemporâneos urbanos americanos como Mos Def e Lauryn Hill, ela também seguiu uma carreira musical ao chegar à Alemanha. Com o tempo ela conheceu e começou a trabalhar de perto com DJ Farhot e fez sua estréia na gravação em 2005 com The Uncomfortable Truth, um EP introdutório de cinco músicas seguido no final do ano pelo álbum completo Victim of Truth. O álbum gerou uma série de singles (“The Uncomfortable Truth”, “Beautiful”, “God of Mercy”, “Africanos”) e preparou o palco para seu álbum seguinte, No Longer at Ease (2008), e sua maior hit, “Heartbeat”, que se tornou seu primeiro single a entrar no top 50 alemão.

Angelique Kidjo | Benim

Angélique Kidjo é uma cantora, compositora, dançarina, atriz, diretora e produtora beninense. Em sua carreira, a cantora já lançou 10 álbuns, e diversos singles, entre eles “Gimme Shelter”, canção de Rolling Stone, cantado em parceria com Joss Stone, para seu álbum Djin Djin. Conhecida como “a principal diva da África”, sua voz marcante, presença de palco e fluência em várias culturas e idiomas conquistaram o respeito de seus colegas e expandiram seus seguidores para além das fronteiras nacionais. Kidjo fez uma polinização cruzada das tradições da infância do oeste africano em Benin com elementos do R & B americano, funk e jazz, bem como influências da Europa e da América Latina. Dentre suas músicas estão “We Are One”, gravado para o filme O rei Leão 2, e “Malaika”.

Youssra El Hawary | Egito

Youssra El Hawary é uma acordeonista, compositora, cantora e atriz do Cairo, Egito. Ela vem compondo suas próprias canções, uma mistura satírica de comentários sociais e políticos, desde 2010. Sua presença animada e seu estilo musical único logo a conquistaram um público fiel. Em pouco tempo, Youssra se tornou uma das vozes femininas mais fortes e populares na cena musical independente do Egito, mas o verdadeiro ponto de virada foi seu single de 2012, “El Soor” (The Wall), uma afirmação ousada e mordaz sobre a situação política no Egito. Como mais um passo no desenvolvimento de seu ofício, Youssra passou dois anos estudando o acordeão na França, e começou a misturar estilos de jazz, a variedade francesa com suas próprias composições.
Em dezembro de 2017, Youssra – junto com sua banda – conseguiu gravar e lançar seu primeiro álbum com o apoio dos fãs, sendo o primeiro álbum financiado por crowdfunding no Egito. Suas músicas mesclam o alternative folk, música francesa, indie rock e jazz. Suas composições falam sobre a vida cotidiana do Cairo e muito do espírito jovem egípcio. Dentre suas músicas, destacam-se “El Alam”, “Bas Kollo Yehoon” e “La Tesmaa’ Kalami”.

Amadou et Mariam | Mali

A música malinense tem sido muito bem representada por uma parceria que vem de dentro e de fora dos palcos: Amadou e Mariam, o conhecido casal de cegos do Mali que desde a década de 1980 mistura sons tradicionais com guitarras de rock, violinos e trompetes em uma combinação chamada afro-blues. Amadou nasceu em Bamako, em 1954, revelando desde cedo um grande talento musical e domínio sobre diversos instrumentos não só de percussão como também gaita, flauta e guitarra, a sua paixão. Já tocava em diferentes grupos como a Orquestra Nacional do Mali quando perdeu a visão aos 16 anos devido a uma catarata congênita. Mariam também nasceu em Bamako, em 1958, sempre apaixonada por música, que ia desde estrelas do Mali como Mokontafé Sako e Fanta Damba à cantores internacionais. Perdeu a visão aos 5 anos de idade em decorrência de sarampo. Matriculou-se no instituto de Bamako para Jovens Cegos e aos poucos mostrou grandes habilidades, chegando a se tornar professora de canto e de dança. E foi no próprio Instituto onde se conheceram. Seus ritmos africanos somados a guitarra de Amadou e acompanhados da voz suave de Mariam fazem do casal um êxito, dando início a varias turnês mundiais. Aos poucos conquistam o mundo com álbuns como Sou Ni Tile, Se Te Djon Ye e Tje Ni Mousso. Entre suas músicas, destaque para “Je pense à toi”, “Sénegal Fast Food” e “Le Dimanche à Bamako”.

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Roberta Sousa, Coordenadora de Comunicação do Abraço RJ
2019-05-07T17:21:06-03:00