Você conhece esse país?

Benim

Com uma história cheia de impérios, reinos, colônias e tribos, o Benim é um país de 112 mil km² localizado a leste da Nigéria, na parte ocidental do continente africano. Apesar de ser pouco conhecido entre os brasileiros, o país possui uma cultura riquíssima e com diversos traços herdados da África pré-colonizada. Por Benim já passaram os portugueses, holandeses e franceses. Durante o século XVI, a região era conhecida por “Costa dos Escravos” pelos europeus, já que era de lá onde diversas pessoas eram forçadas a sair antes de serem escravizadas. Antes da chegada dos colonizadores, Benim era sede de um dos grandes reinos africanos da era medieval, o Daomé.
A escravidão durou até 1848. Após isso, a região se tornou colônia francesa e só se tornou a República do Daomé em 1960. O país se tornou Benim em 1975, nome que se refere à baía localizada no litoral do país. Entretanto, a influência francesa no país foi tão grande que até hoje o francês é tido como língua oficial, apesar dos beninenses falaram diversos outros dialetos em seu cotidiano. Essa é apenas uma de várias características do povo beninense.
Confira aqui cinco características da riqueza cultural de Benim:

O vodu é beninense!
O vodu só foi reconhecido oficialmente como religião no país em 1992. A prática religiosa mescla o cristianismo com as religiões africanas. Benim é reconhecido como o berço dessa prática, que nada mais é do que entrar em contato com o mundo espiritual para pedir conselhos e resolver problemas do dia a dia. Em seus rituais, os praticantes não usam roupas extravagantes. Há dança em um ritmo mais denso e são dados conselhos a quem os procuram. Além disso, o vodu é como um ancestral do candomblé, principal religião africana no Brasil. Os rituais e os deuses variam, no entanto, a essência é a mesma.
Em diversas cidades do país há a comemoração do Dia Nacional das Religiões, no dia 10 de janeiro. A data faz referência ao dia que o vodu passou a ser considerado uma religião. A comemoração existe para fortalecer e divulgar as religiões nativas do país, que foram alvos de discriminação pelos colonizadores por muitos anos.

Turismo no Benim
Na cidade de Abomey, há os Palácios Reais de Abomey. A cidade se tornou berço de um dos Patrimônios da Humanidade pela UNESCO – os palácios – e até hoje em visitas é possível visitar o rei.
Ao norte do país, está o Parque Nacional W. Nele, a principal atração é a diversidade da fauna em seu ambiente natural. Zebras, búfalos, hipopótamos e elefantes são alguns dos animais que estão no Parque.
Se as praias são o que mais te agradam, o litoral do país é repleto de praias paradisíacas. São diversas as praias com areias douradas e águas claras. Além disso, também é possível visitar marcos históricos como museus e o porto onde os escravos eram enviados à América.

Agudás, os brasileiros em Benin
Como foi citado anteriormente, muitos beninenses foram escravizados e forçados a vir ao Brasil para trabalhar. No entanto, com a libertação dos escravos, uma parte do povo descendente dos beninenses resolveu voltar ao país de seus ancestrais e recomeçar a vida lá. São eles, os agudás. Estes eram escravos urbanos que buscaram aplicar o comportamento das elites baianas em Benim. Durante a segunda metade do século XIX, os agudás construíram sua identidade social a partir da memória de sua cultura e das vivências que tiveram na América. Isso contribuiu imensamente para a identidade de país moderno.
Entre as semelhanças que prevalecem entre os beninenses e os brasileiros, existem várias. Como tiveram que adotar os sobrenomes de seus antigos donos, é comum encontrar agudás com Souza, Silva, Almeida e outros nomes comuns no Brasil. Eles também celebram o Carnaval, dançam a “burrinha” – a ancestral do o bumba-meu-boi – e comem alguns pratos típicos de nossa gastronomia, como a feijoada, por exemplo.

Veneza Africana
Em Benim, há uma cidade litorânea chamada Ganvie que também é conhecida como a Veneza da África. A cidade fica a 40 km de Cotonou, maior cidade do país. Lá, só é possível se locomover de barco por meio das “ruas” formadas pelo lago. Na cidade vivem por volta de 40 mil habitantes. Seus ancestrais foram escravos que fugiam da escravidão e isso contribuiu para uma identidade única da região, incluindo até mesmo uma língua e um rei da própria região.

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Amante dos livros por eles serem uma maneira de conhecer outras realidades, Maria sempre quis ir além do que vive. A estudante de jornalismo da UPM gosta de artes, música, cinema e cultura. No futuro, sonha em trabalhar sempre em contato com esses assuntos.

Maria Mariana Amaro, Coordenadora de Comunicação do Abraço RJ
2018-11-29T16:43:49+00:00