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Tudo sobre o narguile

Você já deve ter visto ou mesmo fumado narguile, porém, o que mais você sabe sobre esse tipo de cachimbo? Veja abaixo nosso guia básico sobre narguiles:

O narguile, arguile, shisha e, se quiser mais uma nomenclatura, hookah, é nada mais que um tipo de cachimbo bem grande de água. A sua origem é controversa e bem antiga mas a versão mais comum e difundida é a de que o tipo de cachimbo tenha surgido na região entre a atual Índia e Paquistão no século XVII, pelo médico Hakim Abul Fath, como um método para retirar as impurezas da fumaça antes de se fumar.

Os primeiros narguiles era bem rústicos, feitos principalmente de madeira e coco, vindo daí a origem da palavra narguile, do persa, que significa coco.
Começando pelas diferentes nomenclaturas, como dito acima, narguile é de origem persa, enquanto a palavra arguile é a mais usada pelos países árabes da área do Levante (Síria, Jordânia, Palestina, Líbano, por exemplo). Shisha é amplamente usada na península arábica, no Egito e em outros países do norte da África. Por último, hookah é muito usada nos países de língua inglesa. Já o nome narguilé (narguilê), como é mais falado no Brasil, vem da forma afrancesada para o cachimbo.
A Turquia tem importância na história do narguile. Como forte pólo cultural do oriente durante muitos séculos, o narguile chegaou por lá há cerca de 500 anos atrás, tornando-se muito popular entre os aristocratas e os intelectuais da época, recebendo novos designs e formas. Sua grande popularidade nos cafés da sociedade turca, se deu aos atendentes especializados em arguile dos cafés, em virtude do preparo do cachimbo, da etiqueta usada em servir os fumantes, entre outros detalhes.

Rapidamente os arguiles, e o ato de fumá-los em coletivo, se transformou em um dos passatempos favoritos da população árabe, se tornando um hábito comum nas rodas de conversa sobre política, religião e acontecimentos diários. O arguile se popularizou entre os jovens e idosos, homens e mulheres, e se tornou um símbolo de hospitalidade, serenidade e harmonia. Em reuniões sociais, o arguile é colocado no centro do grupo, e a mangueira é passada adiante enquanto trocam-se palavras, e compartilham-se ideias, de um modo solto e descontraído.
Vale lembrar que no Oriente Médio, o Arguile está totalmente associado ao cultivo da paz, descanso de um dia cansativo e relaxamento mental. Pode ser usado, para fumar várias substâncias, como ervas e tabaco, e também já foi muito usado para o consumo de Ópio. Normalmente fuma-se acompanhado de chá, café ou aperitivos leves.
É comum nas salas das residências haver um narguile que serve tanto como decoração como para o fumo. Na antiguidade, líderes de tribos distintas compartilhavam o narguilé como um sinal de paz entre elas. Na região, ainda hoje, oferecer o seu narguilé a um visitante é sinal de hospitalidade e simpatia.

Alguns costumes:

– Não se deve oferecer a mangueira com o bico apontando para outra pessoa. Não é considerado educado
– Na Índia antiga, ter um narguilé em casa não era apenas para fumar, mas também sinônimo de prestígio.
– Algumas pessoas colocam gelo junto com a água no vaso, o que deixa a fumaça mais refrescante.
– Narguiles de madeira são considerados muito bons, mas não deve-se fumar mais de um sabor de essência nele, já que o gosto da essência “pega” na madeira.
– O material mais comum para narguiles é o cobre, sendo fácil de limpar e possível de usar essências de diferentes sabores.

Aspectos práticos

O Narguilé é formado pelas seguintes peças:

Base (jarro ou vaso):
Peça central do arguile; semelhante a um vaso, onde se coloca a água (ou, embora não sejam tradicionais, outros líquidos, como arak, sucos, ou essências naturais). Geralmente é feita de vidro, metal, ou cerâmica, e algumas são ornamentadas com desenhos.

Corpo:
Peça cilíndrica que sustenta o fornilho, e conecta-se à base, que projeta um tubo para dentro da água, e que conduz à fumaça.

Fornilho (rosh, cabeça ou cerâmica):
Peça de barro ou cerâmica, onde se coloca o tabaco, e por cima deste, o carvão em brasa.

Abafador (laminito):
Artefato em metal (muitas vezes descartados), geralmente alto, para proteger a brasa do vento, evitando o consumo rápido do carvão. Mais utilizado quando fuma-se em área abertas ou de muito vento, como na praia, por exemplo.

Mangueira (condutor):
É por onde se aspira a fumaça. Uma ponta termina numa piteira, e a outra se encaixa na parte superior do corpo do arguile (acima da água). Pode haver mais de uma mangueira, para que várias pessoas fumem juntas

Em arguiles usados em locais públicos, como bares, cafeterias, restaurantes, freqüentemente usa-se uma peça plástica removível na ponta da piteira, que pode ser lavada ou descartada a cada uso, ao contrário da mangueira em si, que não deve nunca ser lavada, pois pode oxidar, criando assim partículas de fuligem, que atrapalham a aspiração da fumaça.

Funcionamento:
Quando se aspira o ar pelo tubo, reduz-se a pressão no interior da base, isso faz com que ar aquecido pelo carvão, passe pelo tabaco, produzindo a fumaça. Ela desce pelo corpo até a base, onde é resfriada e filtrada pela água, que retém partículas sólidas. A fumaça segue pelo tubo até ser aspirada pelo usuário.

No Brasil:

O Arguile chegou no país com os imigrantes árabes em meados do século 1920. Porém, a prática da experiência se espalhou no começo dos anos 2000. O brasileiro criou sua própria cultura do narguile. A preferência por bastante fumaça e sabores diferenciados no narguile é uma marca do Brasil. São Paulo é de longe a cidade onde há mais lojas de produtos e restaurantes e cafeterias para se fumar narguile. Em outras cidade do Brasil, a prática é bem menos difundida.

Saúde:

Embora seja difundida a ideia de que o tabaco fumado com o arguilé seria menos prejudicial do que o cigarro, estudos comprovam exatamente o contrário. A suposição de que a água (ou qualquer outro líquido) absorveria a nicotina, e limparia a fuligem da queima do tabaco, filtrando-o, foram desmentidas. O resultado, é que a fumaça do arguilé, pode causar doenças cardíacas, enfisemas e câncer de pulmão, mesmo entre os usuários que não tragam a substância.

Artigo feito com a colaboração dos professores Adel e Hadi Bakkour, do Abraço Cultural RJ. شكرا

Fontes:

– Hajj – Tudo sobre a cultura do narguile
– Abustore – A história e origem do narguile
– Gazeta de Beirute

Roberta Sousa, Coordenadora de Comunicação do Abraço RJ

2019-09-10T14:27:14-03:00