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Espaços de memória e DH na América Latina:

um exemplo para nós e o mundo

Com certeza você já ouviu falar bem do Louvre, do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, ou do British Museum, mas já escutou sobre o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, no Chile, ou o Espacio Memoria y Derechos Humanos, na Argentina?
Numa época em que museus estão sucumbindo ou sendo sucateados no país, tão importante quanto preservar a história natural e da civilização é colocar em pauta de maneira permanente os erros da história recente para que estes sejam sempre lembrados não repetidos.

Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, Chile:

Um museu que realiza um trabalho modelo nesse sentido é o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, em Santiago, destinado a dar visibilidade às violações dos direitos humanos cometidas pelo Estado do Chile entre 1973 e 1990, dignificar as vítimas e suas famílias e estimular a reflexão e o debate sobre a importância do respeito e da tolerância, para que esses eventos nunca mais aconteçam.
Inaugurado em 2010 pela presidente Michelle Bachelet, a partir da sua criação, o museu busca fomentar iniciativas educativas que convidem ao conhecimento e reflexão. Através de uma vasta coleção de objetos, documentos, arquivos de diversos tipos e com uma proposta inovadora visual e sonora, é possível conhecer parte da vida chilena durante o período da ditadura: o golpe de Estado, a repressão e os anos seguintes, a resistência, o exílio, a solidariedade internacional e a defesa dos direitos humanos.
Com 5 mil metros quadrados, a exposição permanente conta com um rico patrimônio de seus arquivos contempla depoimentos orais e escritos emocionantes, cartas, documentos jurídicos, relatos, produção literária, material da imprensa escrita, audiovisual, radiofônico, e fotografias documentais.
Além da exposição permanente, o Museu também conta com um centro de documentação e uma galeria de exposições temporárias.
O museu é um espaço dinâmico e interativo que resgata a história recente do Chile servindo como um reencontro necessário com a verdade, que cresce e se projeta como consolidador da promoção de uma cultura de respeito à dignidade das pessoas.
Um espaço que contribui para que a cultura dos direitos humanos e dos valores democráticos se transformem em um fundamento ético compartilhado.

Para quem ficou curioso/a, pode ver um pouco da exposição permanente do Museu aqui.

Espacio Memoria y Derechos Humanos, Argentina:

O Espacio Memoria y Derechos Humanos, constituído em 24 de março de 2004, é o elo entre um passado repressivo e um presente em contínua construção para a transformação do nosso futuro coletivo. Conhecido como ESMA, e local foi um dos espaços de detenção, tortura e extermínio implementado durante a ditadura civil-militar na Argentina, entre 1976 e 1983. Lá aconteceram crimes contra a humanidade que estão sendo investigados e processados ​​em tribunais federais foram cometidos.
Hoje é um espaço aberto à comunidade, que busca preservar a memória e promover e defender os direitos humanos. Está localizado no bairro de Núñez, na zona norte da cidade de Buenos Aires. A existência material e espacial do ESMA é uma denúncia viva e evidente dos crimes do terrorismo de Estado.
O Espaço da Memória visa contribuir para a compreensão de como o terrorismo de Estado foi planejado e executado na Argentina e suas conseqüências no presente, contribuindo para a consolidação de uma cultura democrática e o pleno exercício dos direitos humanos.
Preservar os lugares onde milhares de vítimas foram mortas tem um duplo propósito: dar-lhes uma homenagem permanente e ao mesmo tempo lembrar deste capítulo na história da humanidade para afirmar a “Nunca más” para a repetição de crimes como os tais.
Na Argentina, entre 24 de março de 1976 e 10 de dezembro de 1983, as Forças Armadas, juntamente com poderosos setores da sociedade civil, estabeleceram uma política de terror, para a qual implementaram um plano sistemático para o desaparecimento de pessoas.
Argumentando a existência de um inimigo interno, os militares instalaram cerca de 700 centros de detenção clandestinos por todo o país, implantadas principalmente no meio das cidades: quartéis, delegacias de polícia, militares e agências de polícia, escolas, empresas, fazendas privadas e outros sites de trânsito. Todo o aparato estatal estava a serviço do terror planejado e sistemático, institucionalizando o sequestro, a tortura e o desaparecimento forçado de pessoas. A ESMA foi um mecanismo fundamental neste plano sistemático.

Para saber mais, veja aqui.

Bônus: RESLAC – Uma rede de espaços de memória na América Latina

Tecendo a memória contra a impunidade e o esquecimento. A Rede de Sites de Memória da América Latina e Caribe (RESLAC) conta com um total de 40 instituições de 12 países que cultivam uma consciência coletiva baseada nas graves violações dos direitos humanos e nas resistências que ocorreram na região durante o passado recente. Períodos de terrorismo de Estado, conflitos armados internos e altos níveis de impunidade usados ​​para promover a democracia e garantias de não repetição.

A RESLAC desenvolve projetos, iniciativas, treinamentos conjuntos que buscam fortalecer a integração entre instituições com perspectivas semelhantes. O interesse em compartilhar e integrar conhecimentos e práticas nesse contexto latino-americano responde à necessidade de se entender como parte de um todo: compreender seus processos históricos ligados por elos indissolúveis.
O RESLAC compartilha experiências para entender cada memória como parte de um todo. Uma “malha” tecida da Guatemala, com o Memorial da Concórdia ou o Instituto Internacional de Aprendizagem para a Reconciliação Social, passando pela Colômbia, com o Museu Casa de la Memoria ou a Rede Colombiana de Lugares da Memória. Também no Brasil, com o Núcleo Memória, no México, com o Centro de Pesquisas Históricas dos Movimentos Sociais, ou no Paraguai, com o Museu de Memórias: Ditaduras e Direitos Humanos. E no Caribe, com o Devoir de Mémoire de Haiti ou o Museu Memorial da Resistência Dominicana.

Para saber mais sobre a rede, veja aqui.

Roberta Sousa, Coordenadora de Comunicação do Abraço RJ
2019-05-07T17:21:49-03:00