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livros para enxergar a nossa américa

Se América para você é sinônimo de Estados Unidos, precisamos mudar um pouco essa ótica. Sim, sabemos que somos inundados o tempo inteiro com informações e influências de países hegemônicos e que isso muda, de certa forma, nossa percepção e forma de encarar o mundo. E por isso mesmo devemos nos atentar cada vez mais a nós mesmos, nossas próprias influências, raízes e claro, cultura. Parte desse processo de um (re)significar para dentro de nós mesmos passa também por nos enxergar mais de fora, onde estamos inseridos e por consequência, nossos vizinhos.
Estamos inseridos dentro do continente americano, mais precisamente na América Latina, conjunto de países da região que falam predominantemente línguas românicas (espanhol, português e francês, por exemplo). Mas o que nós, brasileiros, sabemos sobre a América Latina? E o quão familiarizados estamos com a identidade latina?
Apesar de o Brasil ser um país latino, em geral não sabemos tanto quanto poderíamos ou deveríamos sobre nossos hermanos. Único Estado com a língua portuguesa como oficial no continente, a barreira da linguística é um empecilho para nossa integração latina, porém, mais do que a própria língua, talvez nosso olhar é que não esteja direcionado para ver nossos vizinhos.
Pensando nisso, propomos uma breve lista de livros que ajudam a nos conhecer, descobrir e enxergar a nós mesmo e nossos queridos irmãos latinos. Confira abaixo:

As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano

Todos os latinos deveriam ler, pelo menos uma vez, a obra. O escritor uruguaio Eduardo Galeano realmente escreveu um livro que pode ser considerado uma bíblia para os latinos. Galeano consegue descrever, numa linguagem bem acessível e com muitas referências e fontes históricas, todo e cada um dos processos de exploração a que nossas terras e povos foram submetidos ao longo de séculos desde o “descobrimento” da América durante o colonialismo e imperialismo. Escrito em 1971, o livro ainda é profundamente atual e trás, ao mesmo tempo, um sentimento de percepção sobre o que o continente sofreu e entendimento da nossa posição hoje em consequência dos traumas a que fomos sucessivamente expostos.

Nossa América, de José Martí

Nossa América é um incrível manifesto poético sobre a necessidade de emancipação da América Latina em relação ao estrangeiro. Já no século XIX, Martí alertava do perigo de intelectuais latino-americanos quererem transladar as instituições e estruturas europeias para a realidade latino-americana, totalmente diferente. É um livro para nos inspirar a cuidar do que é nosso. É um convite a valorização do nosso povo da maneira mais apaixonante possível. Uma leitura imprescindível para quem acredita que a América possa caminhar com suas próprias pernas e construir-se com suas próprias mãos.

A América Latina Existe?, de Darcy Ribeiro

O autor Darcy Ribeiro, brasileiro e antropólogo, descasca a ideia de América Latina, incluindo de maneira concisa e explicativa as razões do povo brasileiro se encaixar nessa denominação. Existem partes da obra que  geram um sentimento de reflexão da realidade latino-americanaLivro indispensável para todo brasileiro que quer se sentir incluído na América Latina, mas não sabe como. Também para os que duvidam que brasileiros tenham alguma inclinação a identidade regional.

Dialética da Dependência, de Ruy Mauro Marini

Neste livro, Marini procura distinguir as principais características que vem assumindo a superexploração da força de trabalho na América Latina, a partir dos anos 70, quando se afirma a crise da industrialização voltada para o mercado interno e inicia-se na região um giro no sentido de sua inserção numa economia mundial globalizada sob o domínio de políticas neoliberais. O conceito de superexploração do trabalho foi estabelecido por Ruy Mauro Marini no final da década de 60, enfatizado sua relação com a gênese da acumulação capitalista. Com uma linguagem um pouco mais técnica, o autor afirma neste livro que o regime capitalista de produção desenvolve duas grandes formas de exploração que seriam o aumento da força produtiva do trabalho e a maior exploração do trabalhador. O aumento da força produtiva do trabalho se caracterizaria pela produção de mais quantidade no mesmo tempo com o mesmo gasto de força de trabalho; e a maior exploração do trabalhador se caracterizaria por três processos, que poderiam atuar conjugadamente ou de forma isolada, representados pelo aumento da jornada de trabalho, pela maior intensidade de trabalho sem a elevação do equivalente em salário e pela redução do fundo de consumo do trabalhador.

História da América Latina, de Maria Ligia Prado e Gabriela Pellegrino

Os brasileiros, de modo geral, conhecem muito pouco sobre a rica e complexa História da América Latina. E isso acontece ainda que o país faça parte dessa região e que nossa história corra paralela à dos nossos vizinhos – desde a colonização ibérica, passando pela concomitância das independências políticas e da formação dos Estados nacionais, chegando aos temas do século XX (como a simultaneidade das ditaduras civis-militares). Daí a importância desta obra, que começa seu percurso com a crise dos domínios coloniais na América, passa pela construção de identidades e investiga educação, cidadania, cultura e políticaEscrito com linguagem fluente por duas professoras da Universidade de São Paulo com relevantes estudos sobre a América Latina, o livro oferece aos leitores uma proximidade inédita com nossos vizinhos. Isso nos ajuda a pensar também sobre as questões do presente e entender as viscerais ligações históricas entre o Brasil e os demais países latino-americanos.

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Roberta Sousa, Coordenadora de Comunicação do Abraço RJ
2019-05-07T17:29:26+00:00