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Além de Chimamanda:

outras literaturas africanas femininas

Pare e olhe para sua estante de livros: quantos livros de autores africanos e africanas você tem? Se a resposta for nenhum ou poucos, você está perdendo a nova ascensão de uma literatura rica e em pleno desenvolvimento atualmente – principalmente de assinatura feminina.

Chimamanda Ngozi Adichie, a escritora nigeriana que despontou nos últimos anos como uma das autoras africanas mais proeminentes e famosas, abriu caminho, se podemos dizer assim, para a divulgação de uma literatura rica e interessante que tem muito a acrescentar e ensinar, principalmente para nós, brasileiros e brasileiras. A literatura africana, tradicionalmente oral, teve seu crescimento escrito desde o século passado, porém, agora em meados dos anos 2010 pode-se perceber uma nova ascensão de tal literatura, sobretudo de vozes femininas.

A literatura dos países africanos sempre foi e continua sendo usada como uma forma de luta pela liberdade, pela transformação social e como construção e representação da identidade desses povos. “O despertar para a consciência nacional e para a luta pela libertação nacional foi feito pela poesia. Mesmo a luta das mulheres. Há poemas que foram feitos para despertar a mulher para a luta”, explicou a escritora moçambicana Paulina Chiziane, a primeira mulher a publicar um romance no país, em uma entrevista à BBC Brasil.

Conhecer a literatura africana é também conhecer a cultura e a história do continente, que é indissociável da história do Brasil, o país que concentra a maior população negra fora da África. Porém, num mercado editorial que sempre foi dominado pela produção literária eurocêntrica e masculina, acabavam chegando poucos exemplares dessa rica literatura ao grande público.

Nos últimos anos vivemos uma espécie de boom literário, principalmente com a popularização internacional de autoras como a Chimamanda. Mas, mesmo nas universidades, o acesso e a dedicação ao estudo da literatura e do pensamento teórico africano ainda é escasso.
Não se pode subestimar o papel significativo que as mulheres africanas exerceram nesta literatura; em seus livros elas relatam suas experiências complexas e peculiares, em um continente no qual as mulheres enfrentam questões como a poligamia, ser mãe, a prostituição e a subjetividade feminina, além das formas encontradas para fugir de uma intensa repressão.

Na atual fase da literatura africana, as reivindicações são complexas e diversificadas. As escritoras narram não apenas o efeito da colonização em seus países, mas também na condição social das mulheres, nos corpos femininos. Além disso, elas denunciam uma situação colonial ainda não superada, devido à influência econômica e cultural das antigas metrópoles. Mostram de maneiras distintas como a colonização e o patriarcado agem discretos e sorrateiros nos eventos mais banais da vida de uma mulher.

E para você descobrir um pouco dessa literatura, separamos algumas indicações de autoras africanas de diferentes países, narrativas e épocas:

Léonora Miano 

Léonora Miano (Camarões, 1973) Léonora Miano nasceu em Douala, na costa de Camarões, onde viveu a infância e a adolescência, antes de partir para a França, em 1991, para iniciar os estudos universitários. Vive até hoje na França e naturalizou-se francesa em 2008. Em 2010 fundou a ONG Mahogany, dedicada a projetos sobre diáspora.
Com 14 obras literárias publicadas em diversos idiomas, Léonora já ganhou o Prêmio Goncourt com ‘Contornos do dia que vem vindo’ (2006), publicado pela Pallas em 2009, e com ‘A estação das sombras’ (2013), vencedor do Prix Femina e do Grand Prix do Roman Métis.
Miano é bem conhecida por sua representação dos afro-europeus que residem na França, onde ela mora. Seu trabalho aborda questões de raça, o rescaldo do colonialismo e questões relacionadas com a invisibilidade das minorias na França de hoje.

Nawal El Saadawi

Nawal El Saadawi (Egito, 1931) é escritora, ativista, psiquiatra e feminista egípcia. É considerada uma das escritoras árabes pioneiras da modernidade, tendo escrito muitos livros que abordam a situação da mulher no islã, dando atenção particular à prática da mutilação feminina na sociedade onde nasceu.
Saadawi nasceu em pequena cidade do Egito, Kafr Tahla, sendo a mais velha de nove filhos. De uma família relativamente progressista, Saadawi foi incentivada a estudar, o que não era tão comum na época. Após se formar em medicina em 1955 e começar sua prática profissional, passou a observar problemas físicos e psicológicos das mulheres que atendia e os relacionou à práticas culturais opressivas, ao sistema patriarcal, à opressão de classe e imperialista. Foi então que Nawal começou a escrever, publicando em 1960 seu 1º livro, “Memoirs of a Woman Doctor”, com suas experiências através dos relatos e observações dos transtornos que atingiam as mulheres na sociedade egípcia.
Em 1972, publicou Al-Mar’a wa Al-Jins (Woman and Sex), confrontando e contextualizando várias agressões perpetradas contra os corpos das mulheres, incluindo a circuncisão feminina, que se tornou um texto fundamental da segunda onda do feminismo. Como conseqüência do livro, bem como de suas atividades políticas, Saadawi foi demitida de seu cargo no Ministério da Saúde. Considerada polêmica e perigosa há muito pelo governo egípcio, Saadawi foi presa em setembro de 1981 junto com vários opositores ao Tratado de Paz de Jerusalém pelo presidente Anwar al-Sadat. Ela foi liberta mais tarde neste ano, após o assassinato do mesmo. De sua experiência, Nawal escreveu “O perigo faz parte da minha vida desde que eu peguei uma caneta e comecei a escrever.Nada é mais perigoso do que a verdade em um mundo que mente.”

Scholastique Mukasonga

Scholastique Mukasonga (Ruanda, 1956) conviveu desde a infância com a violência e a discriminação oriundas dos conflitos étnicos em seu país. Em 1960, sua família foi forçada a ir viver em Bugeresa, uma das áreas mais pobres e inóspitas de Ruanda. Anos depois, Mukasonga foi força a deixar a escola de serviço social em Butare e ir viver em Burundi. Dois anos antes do genocídio em Ruanda, Mukasonga mudou-se para a França, onde vive até hoje e publicou o livro autobiográfico Inyenzi ou les Cafards, que marcou sua entrada na literatura, em 2006. Foram publicados na sequência Lafemme aux pieds nus, em 2008, e L’Iguifou, em 2010. Seu primeiro romance, Notre-Dame du Nil, foi publicado no Brasil com o título Nossa Senhora do Nilo e tradução de Marília Garcia, na Flip 2017, marcando a estreia da autora no mercado brasileiro. Ganhador dos prêmios Ahamadou Kourouma e do Renaudot em 2012, dos prêmios Océans France Ô, em 2013, e do French Voices Award, em 2014, o romance se passa em Ruanda, num colégio de Ensino Médio para jovem meninas, situado no cume Congo-Nilo a 2500 metros de altitude, perto das fontes do grande rio egípcio, onde garotas de origem Tutsi são limitadas a 10% do corpo de alunos. Além de Nossa Senhora do Nilo, também com tradução de Marília Garcia, será publicado o romance-memorialista La femme aux pieds nus (A Mulher de Pés Descalços), sobre o relacionamento da autora com sua mãe, que morreu com os pés descalços — contrariando a tradição local — pela ausência da filha.

Ana Paula Tavares

Ana Paula Tavares (Angola, 1952) é poeta, cronista, historiadora e professora angolana. É Doutora em Antropologia da História pela Universidade Nova de Lisboa (2010), Mestre em Literatura Brasileira e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e Bacharel e Licenciada em História. É professora convidada na Universidade de Lisboa, Portugal, e na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, Angola.
Dedica sua atenção às áreas da cultura, museologia, arqueologia e etnologia, patrimônio e ensino, colaborando com várias instituições como o CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e o AHNA (Arquivo Histórico Nacional de Angola).
Ana Paula Tavares tem vínculos fortes com o Brasil, com pesquisa e participações em eventos no país. Também diz ter sido influenciada por escritores brasileiros como Manuel Bandeira, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Mello Neto, e pela música brasileira. É autora de vasta obra literária em prosa e poesia e de textos científicos. Grande parte de sua obra está publicada em antologias da Galícia (Espanha), Itália, França e Portugal.

Fatou Diome

Fatou Diome (Senegal, 1968) é uma escritora senegalesa da atualidade que trata especialmente de questões acerca da identidade, origem e imigração. Nascida em 1968 na pequena ilha do Senegal chamada Niodior situada na costa oeste da África. França e África – e a relação entre ambas – constituem o sucesso das suas obras de ficção. O seu estilo inspira-se na arte tradicional da narração, tal como ainda se pratica em África. Com as suas descrições precisas e autênticas, um humor travesso e uma linguagem mordaz, mas variada, que a caracterizam, traçando um inquietante retrato das dificuldades dos imigrantes africanos em França, entrelaçadas com lembranças nostálgicas do seu país natal – Senegal.
A autora em seu livro Le Ventre de l’Atlantique escreve de uma maneira autônoma, mesclando a cultura de seu país, elementos da religião islâmica e a língua francesa; o que faz da sua obra uma espécie de miscelânea de vários povos e culturas. Em seu livro de caráter quase autobiográfico, Diome relata a dificuldade de ser imigrante na França. O continente europeu é visto pelos nativos do seu país como o El Dorado ou até mesmo como a pátria mãe, detentora de tudo o que existe de mais desejável e superior. Ela retrata que, para muitos de seu país que sofrem devido à fome e à escassez de recursos, a ida à Europa representa a garantia do sucesso; onde supostamente todos os que imigram obterão sucesso e qualidade de vida./span>

Paulina Chiziane

Paulina Chiziane (Moçambique, 1955) nasceu na província moçambicana de Gaza, no seio de uma família protestante, onde se falava chope e ronga. Aprendeu a falar português na escola, pouco antes de se mudar para Maputo. Iniciou os estudos superiores na Universidade Eduardo Mondlane, mas nunca concluiu a licenciatura de Linguística. A viver na capital moçambicana, Paulina acabou por se juntar à FRELIMO durante a luta pela independência. Desiludida com a política, em 1984 abraça a escrita, começando pelos contos. A grande influência veio do avô, um contador de histórias nato. Começa por publicar alguns dos seus contos na imprensa moçambicana, como a Página Literária e a revista Tempo, histórias que falam da vida em tempos difíceis, mas da esperança, do amor, da mulher, e de África.
Em 1990, Paulina Chiziane torna-se a primeira mulher moçambicana a publicar um romance – ‘Balada de Amor ao Vento’. No entanto, Paulina não gosta do termo romancista e diz sobre si: “Sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte.” O maior sucesso surge com ‘Niketche: Uma História de Poligamia’ onde relata a vida de Rami, que após descobrir que o marido tem mais quatro mulheres resolve procurá-las. Paulina faz um apelo às mulheres para se unirem e se tornarem independentes. A obra ganhou o Prémio José Craveirinha de Literatura, em 2003.

Djaimilia Pereira de Almeida

Djaimilia Pereira de Almeida (Angola, 1982) cresceu nos arredores de Lisboa, formou-se em estudos portugueses pela Universidade Nova de Lisboa e fez doutorado em teoria da literatura na Universidade de Lisboa. Em 2013, foi uma das vencedoras do Prêmio de Ensaísmo Serrote (Instituto Moreira Salles). Publicou ensaios em revistas e jornais em Portugal, nos EUA e no Brasil. Esse cabelo, vencedor do Prêmio Novos – Literatura 2016, é seu primeiro livro. No início de 2016, foi uma das finalistas da Rolex Mentor and Protégé Arts Initiative.
Em 2015, Djaimilia Pereira de Almeida entrou no panorama literário português com uma das mais arrebatadoras estreias de que há memória recente. Esse Cabelo era reflexão de base autobiográfica ao mais alto nível, juntando romance e ensaio numa busca por um espaço e uma identidade que não renegasse nenhuma das componentes da sua vida. Alguma expectativa marcava, portanto, o regresso da escritora. Mas, se havia algum receio, Luanda, Lisboa, Paraíso é a clara confirmação da qualidade da autora.

Lina Magaia

Lina Magaia (Moçambique, 1945) foi uma escritora, jornalista e política moçambicana.[1][2] Fez parte do Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos. Ganhou uma bolsa para estudar economia em Portugal, em 1974.[3] Ao saber, porém, da morte do seu irmão, retornou para a África, juntando-se à Frente de Libertação de Moçambique na Tanzânia, onde ajudou a organizar o Destacamento Feminino na luta pela independência.
Após a independência de Moçambique, elegeu-se deputada e lutou pelo desenvolvimento da agricultura, assim como pelos direitos humanos. Defendia uma “revolução verde”, com uma reforma agrária e a substituição da lavoura de cana-de-açúcar pela produção de alimentos. Ao mesmo tempo, escreveu livros que retrataram sua experiência na Guerra Civil Moçambicana.

Yaa Gyasi

Yaa Gyasi (Gana, 1989) nasceu em Gana e mudou-se aos 2 anos de idade para os Estados Unidos, sendo criada em estados sulistas como o Alabama e o Tennessee. Voltou ao seu país já adulta e, depois de conhecer o Castelo da Costa do Cabo de Gana, onde escravos eram mantidos como prisioneiros, decidiu escrever seu primeiro romance, O Caminho de Casa, que parte da história de duas irmãs separadas pelo tráfico negreiro e acompanha a sua descendência ao longo de oito gerações.
Com uma narrativa poderosa e envolvente que começa no século XVIII, numa tribo africana e vai até os Estados Unidos dos dias atuais, Yaa Gyasi descreve as consequências do comércio de escravizados dos dois lados do Atlântico ao acompanhar a trajetória de duas meias-irmãs desconhecidas uma da outra e das gerações seguintes dessa linhagem separada pela escravidão.

Buchi Emecheta

Buchi Emecheta (Nigéria, 1944) comprometeu-se, a partir de seus escritos, em corrigir os estereótipos da mulher nigeriana e africana, expondo sua realidade diária e a opressão das normas sociais. Sua obra questiona, entre outros temas, a educação da mulher, a valorização da maternidade como única preocupação possível, a violência degradante do colonialismo e a cultura que deslegitima sua autonomia. Buchi Emecheta nasceu na cidade yorubá de Lagos, mas foi na terra natal de seus pais, Ibuza, onde ela passou boa parte da infância. Alice Ogbanje Emecheta e Jeremy Nwabudike Emecheta, que foram buscar trabalho em Lagos, faziam questão de cultivar em Buchi e em seu irmão as raízes igbo.
Uma das paixões da menina era ouvir histórias dos mais velhos. Em Lagos, conheceu bons contadores, mas, para ela, a maneira igbo era diferente. Cresceu ouvindo a tia, a quem chamava de Grande Mãe – as contadoras, seguindo a tradição local, eram sempre mães de alguém. Buchi costumava sentar “por horas a seus pés, hipnotizada pela sua voz de transe”, deleitando-se com as proezas de seus ancestrais. As visitas a Ibuza, aliadas ao prazer e ao conhecimento obtidos com as narrativas, trouxeram a Emecheta a certeza de que seria, também, uma contadora de histórias.

Isabela Fugueiredo

Isabela Figueiredo (Moçambique, 1963) é um escritora filha de portugueses que retornaram para Lisboa depois da independência de Moçambique. Estudou línguas e literaturas lusófonas, sociologia das religiões e questões de gênero. Foi jornalista no Diário de Notícias e hoje é professora de português. Conto é como quem diz (1988), seu livro de estreia, recebeu o primeiro prêmio da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias. Publicou Caderno de memórias coloniais, que se tornou obra central no debate sobre racismo e o passado colonial português, e o recente A gorda (ambos pela Todavia, 2018).

Leila Slimani

Leila Slimani (Marrocos, 1981) é uma escritora marroquina e um dos mais importantes nomes da nova literatura francófona. Foi a primeira mulher a ganhar um prêmio literário no mundo árabe-muçulmano, o La Mamounia, com Dans Le Jardin de l’ogre (2014), um romance erótico. É autora de Sexe et mensonges (2017), ainda sem previsão de lançamento no Brasil, que reúne depoimentos de mulheres do Marrocos sobre o tabu em torno da sexualidade no país. Venceu, em 2016, o prestigioso Prêmio Goncourt com o best-seller Canção de ninar (Tusquets/Planeta, 2018). Tornou-se, por escolha do presidente Emmanuel Macron, divulgadora da língua francesa.

Marguerite Abouet

Marguerite Abouet (Costa do Marfim, 1971) nasceu na Costa do Marfim, mas aos 12 anos mudou-se para França, para estudar. Publicou, em 2006, o premiado livro “Aya de Yopougon”, uma história em quadrinhos, ilustrada pelo seu marido, Clément Oubrerie, que conta a história de três amigas, Aya, Bintou e Adjoua, que vivem os mesmos dilemas de tantas outras jovens de sua geração: garotos, festas e dúvidas sobre o futuro.
A aventura de construir uma narrativa diferente sobre o continente africano virou a missão de Marguerite. “Meu trabalho é o de contar uma outra África”, disse a autora. A personagem Aya ganhou uma série, com outros cinco livros lançados e mais de 700 mil exemplares vendidos no mundo.

Noémia de Sousa

Noémia de Sousa (Moçambique, 1926) ficou conhecida como “Mãe dos poetas moçambicanos” por sua influência nas gerações de poetas de Moçambique. É autora de densa obra poética, que representa a resistência da mulher africana e luta do povo moçambicano por sua liberdade. Seu único livro, Sangue negro, é composto por 49 poemas, escritos entre 1948 e 1951, que circularam na época em jornais como O brado africano. Em 2001, seus poemas foram reunidos no livro Sangue negro, publicado pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

Rutendo Tavengerwei

Rutendo Tavengerwei (Zimbábue) jovem escritora africana nasceu, cresceu e estudou no Zimbábue, onde morou até os dezoito anos.Continuou, então, seus estudos na África do Sul, na área de Direito na Universidade de Witwatersrand, onde recebeu o diploma de especialização em Direito Comercial Internacional. Na Suíça, completou um Mestrado no World Trade Institute, Universidade de Berna.
Rutendo lança Esperança para Voar, seu mais novo romance editado pela Kapulana, no Brasil. Nele, a escritora dialoga e reflete sobre as mudanças da adolescência, as questões político-sociais e a importância da amizade e conta a história de amizade de duas adolescentes em meio à grave crise política de 2008 no Zimbábue. Delicada e emocionante, ao mesmo tempo em que nos apresenta um cenário africano com muita musicalidade, a obra é uma espécie de fábula universal, cujos fatos poderiam ter ocorrido em qualquer país em qualquer tempo.

Ayòbámi Adébáyò

Ayòbámi Adébáyò (Nigéria, 1988) é mestre em escrita criativa pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Em sua estreia literária, Fique comigo (Harper Collins, 2018), tece reflexões sobre o patriarcalismo na sociedade nigeriana e desvela o dilema causado por conta da impossibilidade de um casal ter filhos, e a pressão familiar em introduzir mais uma esposa na relação. O romance — publicado em quinze países — recebeu uma série de prêmios e menções e foi classificado como um dos melhores do ano de 2017 nas listas do New York Times, The Economist, The Wall Street Journal e muitos outros. Desde 2009, Adébáyò é editora da revista literária nigeriana Saraba.

Fatma Mernissi

Fatma Mernissi (Marrocos, 1940) foi uma socióloga e escritora marroquina. Ela nasceu em uma família de classe média em Fez em 1940 e cresceu no harém de sua avó paterna junto com várias parentes.
Ela estudou na universidade Mohammed V, em Rabat, bem como na Universidade de Paris e na Universidade Brandeis (EUA), onde obteve seu doutorado. Posteriormente, Mernissi retornou ao Marrocos para lecionar na Universidade Mohammed V.
Considerada uma das principais feministas islâmicas do mundo, Fatma Mernissi concentra-se seu trabalho nas atitudes do Islã em relação às mulheres e no papel que as mesmas desempenham dentro da religião.
Mernissi aborda principalmente o islamismo e os papéis das mulheres, analisando o desenvolvimento histórico do pensamento islâmico e sua manifestação moderna. Através de uma investigação detalhada da natureza da sucessão de Maomé, ela põe em dúvida a validade de alguns dos ditos e tradições atribuídas a ele e, portanto, a subordinação das mulheres que ela vê no Islã, mas não necessariamente no Alcorão.
Ela escreveu extensivamente sobre a vida dentro dos haréns, sobre a equidade de gênero nas esferas pública e privada. Como socióloga, Mernissi realizou principalmente trabalhos de campo em Marrocos.

Fontes:
https://www.huffpostbrasil.com/2018/05/25/alem-de-chimamanda-9-escritoras-de-origem-africana-que-voce-deveria-conhecer_a_23443806/
https://azmina.com.br/colunas/diome-chimamanda-djaimila-e-a-nova-literatura-africana/
https://www.geledes.org.br/literatura-africana-contemporanea/

Roberta Sousa, Coordenadora de Comunicação do Abraço RJ
2019-09-04T12:43:52-03:00