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#escritorEshispanoblantes: alejandra pizarnik

A literatura em espanhol é bastante vasta mas bem pouco conhecida do público brasileiro, apesar de estarmos situados em meio a diversos países falantes de espanhol. A fim de promover e contribuir para a difusão da literatura em língua espanhola, vamos falar sobre algum autores e autoras hispanoblantes. Começando por este artigo, apresentamos a escritora e poetisa argentina Alejandra Pizarnik:

Alejandra Pizarnik é o pseudônimo de Flora, como assina seus livros. Nascida em Buenos Aires no Século XX, em 1936, a escritora e poetisa era amiga do escritor argentino Júlio Cortázar, autor do famoso “O Jogo da Amarelinha, e também de Octávio Paz, amizades as quais foram de suma importância para moldar a estética particular de seus livros, que flertam poeticamente com o absoluto e o contrário, ininterruptamente.
Em Buenos Aires morou no bairro de Avellaneda e logo então, nos anos de 1960 a 1964, época caracterizada pelos períodos ditatoriais na América Latina, foi se exilar em Paris.
Por trás da aparente obsessão de Pizarnik por fórmulas verbais curtas e simples, se repetem em fluxo caleidoscópico alguns temas: barcos, paredes, noites, espelhos, lilases e nota-se também o estranho eco de sua autoimposta morte prematura prefigurada em vários de seus poemas e projetado no passado da escrita num anacronismo contraditório, como se a lêssemos sempre já morta, mas estranhamente etérea e já quase imortal. Vale ressaltar que a poetisa faleceu em 1972, aos 36 anos, decorrente de doses excessivas de soníferos.
Pizarnik usava a psicanálise para explorar (e canalizar) seu sofrimento para dentro da poesia. Usava o surrealismo para gargalhar nervosamente da clausura que era o mundo. Alejandra lia Bataille, Cervantes, Borges, Michaux, Stendhal, Olga Orozco e Franz Kafka. Flora era rigorosa em sua poesia: concisa, ritmada, burilada ao extremo, aguda, perspicaz, lancinante, isenta, correta, plural e embasada.
Estudou Filosofia e Letras na Universidade de Buenos Aires e posteriormente pintura com Juan Batlle Planas.

Dentre suas obras literárias, destaca-se e recomenda-se,”Compilados de Poesia”,”La Última Inocencia”, “Àrvore de Diana” e “Os trabalhos e as noites”, os dois últimos editados originalmente em 1962 e 1965 respectivamente.
Especialmente em Árvore de Diana, esse tema recorre como se a poeta prefigurasse sua morte constantemente, lançando-se ao longínquo ponto em que poderia, morta, olhar para si mesma escrevendo e possuir seu corpo em uma inspiração multisubjetiva. Mais impressionante é o modo como Pizarnik obtém esse efeito: com poemas curtos, de sintaxe clara e simples, com um vocabulário nada erudito, algo limitado em extensão, beirando o sublime em cada sintagma. De maneira geral, o duplo assombra por suas impossibilidades radicais. Daí sua pervivência já tão antiga na literatura, de Plauto a Saramago, de Poe a Dostoiévski. Entretanto, o despojamento da linguagem de Pizarnik produz o duplo com maior assombro: um duplo poeta-poesia que encarna a morte anunciada de cada um de nós e faz dela pura positividade, engajamento radical com a desconfiança na essência.
Alejandra Pizarnik nos conduz pelo silêncio feito voz, pelos espaços assombrosos de sua poesia e mesmo após 46 anos de seu falecimento sua obra se mantém viva e imortal.

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Tiago Máximo, Voluntário de Comunicação do Abraço
2019-05-07T17:30:12+00:00