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5 festas do Sul Global que celebram a morte

No dia 31 de outubro muitos países ocidentais celebram o Halloween. A data marcava a passagem de ano e a chegada do inverno. Para os celtas, o início do inverno representava a aproximação entre o mundo e o “Outro Mundo”, onde vivem os mortos. Eles acreditavam que no início do inverno os mortos regressavam para visitar suas casas e que assombrações surgiam para amaldiçoar seus animais e suas colheitas. E daí se originou o Halloween, que cresceu ao longo dos séculos e se tornou uma festa bastante popular, principalmente para crianças, na qual trocam-se doces ou travessuras e pessoas se fantasiam de personagens sombrios, maus ou fictícios diversos.
Porém, além do Halloween, há outras festas e festivais nas quais diferentes culturas lembram e celebram a morte. Conheça abaixo 5 festas do Sul Global que cultuam os mortos:

Fiestas de las Ñatitas, Bolívia

Na Bolívia, os mortos são homenageados de uma maneira diferente, um pouco mais, digamos, macabra. Sua celebração se assemelha mais aos costumes incas em que costumavam honrar seus antepassados, exibindo suas múmias em lugar de destaque e compartilhando refeições e bebidas com eles. Na Bolívia, um festival religioso peculiar, conhecido como “Fiestas de las Ñatitas”, celebra apenas os crânios dos membros da família falecidos.
Popularmente na região oeste do país é chamado de ñata ou ñato a pessoa com nariz pequeno, e como os crânios têm uma figura achatada frontalmente, foram nomeados como ‘ñatitas’.
Todos os anos, no amanhecer de 9 de novembro, aqueles que ainda seguem esse costume pegam os crânios de seus antepassados, parentes e amigos, embrulham-nos em sacos plásticos e os levam ao cemitério principal de La Paz. Os crânios são decorados com flores, folhas de coca e velas. Calcular quantas pessoas praticam esse ritual é quase impossível, pois a festa tem uma origem clandestina, que nasceu na área rural e se mudou, junto com migrações internas, para as cidades, principalmente para a capital La Paz.
As ñatitas só ficam visíveis no 8 de novembro, coincidindo com o chamado Dia das Sombras na Bolívia. Nesta data, todas se reúnem – primeiro – no cemitério principal e depois em diferentes locais de dança perto de campos considerados sagrados, onde são organizadas festas em homenagem aos mortos. Se trata do presterío, uma espécie de celebração comunitária.
Os observadores dessa tradição acreditam que os crânios dos mortos protegerão os vivos e lhes trarão sorte. Muitos crentes até trazem desejos e pedidos aos crânios. Alguns pedem ajuda para encontrar parentes desaparecidos ou bens roubados, outros pedem um casamento feliz e sucesso futuro. Essa mistura única de adoração católica e tradicional andina continua a moldar a vida de muitos nesta região numinosa. Honrar os mortos é uma tradição que a maioria das culturas pratica há milhares de anos. Nos Andes, muitas dessas tradições ainda estão vivas hoje.

Festival Egungun, Nigéria

O festival Egungun é uma celebração anual do povo iorubá, encontrada principalmente nas partes do sudoeste da Nigéria. O festival começa em novembro de cada ano e termina em abril, antes das estação das chuvas. O festival é uma celebração da vida de personalidades importantes da sociedade que faleceram durante o ano. “Egungun” é uma palavra iorubá que se refere aos bailes de máscaras que ocorrem na rua durante o festival, dançados ao som de bateristas experientes. Acredite-se que os mascarados sejam escolhidos pelos deuses que terão os poderes especiais de se comunicar com os mortos e agradecer aos ancestrais. Isso significa que não é qualquer um que pode se vestir com um disfarce e realizar a dança tradicional durante o festival Egungun. O festival é marcado para garantir que os mortos sejam lembrados e ainda tenham um lugar na terra dos vivos. É considerado um espetáculo já que os Egungun se vestem com máscaras e trajes bem coloridos e elaborados e dançam ao som de bateria tradicional e canto iorubá. O desfile é liderado pelo padre sacerdote, que invoca os espíritos.

Día de los Muertos, México

O Dia dos Mortos é considerado a tradição mais representativa da cultura mexicana e é originário da cultura asteca, se tornando popular em grande parte da América Latina.
As origens da celebração do Dia dos Mortos no México são anteriores à chegada dos espanhóis. Há um registro de comemorações nos grupos étnicos mexicanos, maia, purépecha e totonaca. Os rituais que celebram a vida dos antepassados são realizados nessas civilizações desde os tempos pré-colombianos. A prática de preservar crânios como troféus e exibi-los durante rituais simbolizando a morte e o renascimento era comum entre os povos pré-hispânicos.
A crença popular é que as almas dos entes queridos que nos deixaram retornam da sepultura durante o Dia dos Mortos. Portanto, eles são recebidos com oferendas como os seus alimentos e bebidas favoritos, frutas, crânios doces e, se necessário, brinquedos para crianças. Uma parte muito importante dessa tradição envolve visitar cemitérios. Seja durante o dia ou à noite, as famílias vêm e colocam velas nos túmulos como uma maneira de iluminar o caminho das almas no caminho de casa.
Algo inevitável em cada jantar e oferta é o delicioso pan de muerto. Existem diferentes estilos e formas. O mais popular é redondo, coberto com açúcar branco ou vermelho, com tiras que simulam ossos. Os astecas dedicavam um mês inteiro a esta importante celebração, que começou no início de agosto, mas com a chegada das tradições espanhola e hispânica, as datas mudaram definitivamente.

Festival Famadihana, Madagascar

Entre o seu povo, o Festival de Famadihana é conhecido como o festival do torneamento de ossos. O festival é uma época de dança com os mortos, onde muitos rituais são realizados pelos chefes tradicionais das famílias para homenagear os entes queridos que morreram.
Ao contrário de muitos festivais que são comemorados anualmente, o Famadihana é comemorado a cada sete anos. No processo de celebração, espera-se que as famílias abram criptas ou cemitérios e enrolem os restos dos mortos em roupas novas. Acredita-se que seja uma maneira de manter limpa a casa dos mortos e se reconectar com eles depois de vários anos.
O festival ainda é muito comemorado em Madagascar, mas sofreu um declínio drástico com a introdução do cristianismo no país.

Festival Odo, Nigéria

Na África, acredita-se popularmente que os mortos possuem o poder do renascimento e que eles não se foram nem foram esquecidos, mas permanecem com os vivos de uma forma menos física. O festival Odo dos igbos na Nigéria demonstra essas crenças tradicionais africanas.
O festival começa em setembro e geralmente termina em abril. Os preparativos para o festival envolvem preparação pesada de alimentos e sacrifícios pelos líderes espirituais do sexo masculino de todos os lares.
Os igbos acreditam que os mortos ressuscitam e passam seis meses com os vivos, geralmente aparecendo na forma de máscaras femininas e masculinas. Antes dos mortos serem recebidos em suas antigas casas, eles são recebidos de volta à terra com um desfile de máscaras com tambores e danças.
Geralmente, há mais comemoração durante o período de seis meses em que eles entram em suas casas para comer, beber e acompanhar as coisas que aconteceram na sua ausência. No final do festival, eles são levados de volta à terra dos mortos com celebrações tristes.

Continue nos acompanhando para descobrir dicas pedagógicas e novas referências culturais! 😉

Roberta Sousa, Coordenadora de Comunicação do Abraço RJ
2019-10-29T20:21:33-02:00